Apesar de todos os problemas econômicos e políticos pelos quais o Brasil passa, além dos problemas que os cariocas enfrentam diariamente com segurança, transporte público, saúde, salários do funcionalismo público atrasados, o mosquito do vírus Zika, que praticamente desapareceu durante o evento (talvez não goste de Olimpíadas!), e até possíveis ataques terroristas (!) do Estado Islâmico, tudo seguiu o mais tranquilo possível dentro do nosso padrão “carioquês” diário.
Mostramos ao mundo que podemos, SIM, fazer um evento de tal magnitude, com sensibilidade e originalidade. Não escondemos quem somos e as dificuldades pelas quais passamos. Não camuflamos nossas mazelas. “Os Jogos não foram organizados numa bolha, mas em uma cidade em que há problemas sociais, e onde a vida real continua durante a olimpíada”, declarou Thomas Bach, presidente do COI. E mostramos ao mundo que podemos ser excelentes anfitriões. Apesar de tudo.
Torcida Diferente, à Moda da Casa
Apesar de tudo isso, não só os cariocas, mas todos os brasileiros mostraram como recepcionar, torcer e até interagir com visitantes e com os atletas durante as competições. O calor humano, a simpatia e a alegria típica dos cariocas e do povo brasileiro foram cruciais para o sucesso desta 31ª edição dos Jogos Olímpicos. Com certeza, foi o maior destaque de todo o evento. E o que vai deixar mais saudades.
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Usain Bolt, o jamaicano tricampeão olímpico, se rendeu à torcida |
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Michael Phelps, a Lenda com seus 5 Ouros e 1 Prata, foi ovacionado no Parque Olímpico da Barra |
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Entrega de medalhas aos maratonistas, no último dia, em pleno Maracanã: Ouro - Eliud Kipchoge (Qênia); Prata - Feyisa Lilesa (Etiópia); Bronze - Galen Rupp (Estados Unidos) |
Mesmo quando forças (não tão ocultas assim) tentaram denegrir a imagem do povo e de sua torcida nos Jogos Olímpicos mostramos ao mundo que não é bem assim. Como o caso do nadador americano Ryan Lochte, de 32 anos (e com o pé na aposentadoria), não poderia ter feito mais feio: aproveitou-se da má fama do Brasil de ser um país sem segurança e inventou um assalto para encobrir sua “pulada de cerca” e seu vandalismo. Teve que pedir desculpas e perdeu patrocínios.
Até mesmo um representante do país cujo lema é Liberté, égalité, fraternité (Liberdade, igualdade, fraternidade), o francês Renaud Lavillenie, exibiu toda sua arrogância (e a completa necessidade de um psicólogo!) por não conformar-se em ter perdido no Salto com Vara para o brasileiro Thiago Braz e chamou a torcida de nazista e a si mesmo de Jesse Owens, atleta americano e ativista do movimento negro. Patético! Não vamos esquecer que com toda a pressão, realmente, nazista da época (Jogos de Berlim 1936) e com a presença do próprio Hitler no estádio, Owens ganhou suas provas. No pódio, mais vaias para o francês!
Eu não concordo com o que chamam de “futebolização da torcida”. Acho que pela primeiríssima vez o mundo entendeu o que é, realmente, torcer por algo e alguém. Aqui nós torcemos. Aqui nós interagimos. É assim que somos. É esporte, estádio, quadra, arena!
Olimpíada Sul-Americana, Chupa que é de Uva
A primeira Olimpíada da América do Sul fez bonito. Apesar de não causar o mesmo impacto que a cerimônia de abertura, a festa de encerramento foi bela e mostrou a diversidade cultural do Brasil. A festa teve início com uma contagem regressiva e mostrou “araras” bailarinas formando os Arcos da Lapa, o Bondinho do Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, o logotipo da Olimpíada e os Anéis Olímpicos, enfim, os símbolos do Rio de Janeiro e da Rio2016.
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Bailarinos vestidos de araras representaram o Pão de Açúcar |
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O Cristo Redentor |
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As "araras" bailarinas formaram os Anéis Olímpicos |
Entre os discursos longos, inflamados e populistas dos Srs. Carlos Arthur Nuzman (presidente do COB – Comitê Olímpico Brasileiro) e Thomas Bach (presidente do COI – Comitê Olímpico Internacional) selando o sucesso estrondoso que foi a Olimpíada Rio2016, tivemos muitos jogos de luzes e muita música popular e, principalmente, nordestina e que culminou com um grande Carnaval, com direito a carro alegórico, e em pleno mês de agosto, com todos os atletas entrando em campo e caindo no samba junto com os passistas que encerraram, com estilo, a cerimônia dos Jogos Olímpicos. A alegria substituiu o drama da despedida.
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Atletas confraternizaram e caíram no samba |
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Teve até Carro Alegórico no fim da festa |
Claro que deve ter tido um monte de gente por aí falando mal por causa das músicas, danças e artes nordestinas. Além das antigas marchinhas de carnaval e dos clássicos da MPB, como Tom Jobim. Mas, para essa gente, eu só tenho a dizer: Tô nem aí! As vozes desses não vão falar mais alto que a calorosa e tão falada torcida brasileira.
Dança e Música, a Comemoração
A festa foi divertida, dançante e tipicamente brasileira, mesmo debaixo de chuva. Adorei a mulher rendeira; as 27 crianças cantando o hino nacional e virando as estrelas da bandeira do Brasil; dançarinas de frevo; o artesanato de barro criando vida; o poema de Arnaldo Antunes sobre a palavra Saudade (sentimento que só existe em português) e recitado por ele mesmo; a cantora Roberta de Sá interpretando a pequena notável Carmen Miranda; o tributo de Martinho da Vila a Pixinguinha, Noel Rosa e Braguinha; o agradecimento de Lenine aos voluntários com uma adaptação de sua música “Jack Soul Brasileiro”.
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A Mulher Rendeira invadiu o Maracanã |
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Carmen Miranda, a Pequena Notável, divulgou o nome do Brasil |
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Crianças representaram os estados do Brasil e o Distrito Federal na bandeira |
Entrando pelo Cano, com Super Mário Bros.
Mas o ponto alto mesmo foi a divertidíssima aparição de Super Mário, personagem do game homônimo de sucesso mundial da gigante japonesa Nintendo. Abrindo a apresentação para os próximos Jogos Olímpicos, o Primeiro-Ministro do Japão, lá em Tóquio, atrasado para a festa de encerramento no Maracanã, transformou-se em Mário e utilizou o cano do nosso amigo e famoso encanador e atravessou o planeta, desde o Japão até o Rio de Janeiro. Sabia que isso era possível! E, eis que surgiu, bem no meio do Maraca, vestido de Super Mário (!), e roubando a cena, Shinzo Abe, o Primeiro-Ministro japonês, que deu início a uma pequena apresentação do que esperar em Tóquio, no Japão, em 2020. Acho que foi um toque do humor carioca emprestado ao comportado povo japonês. Só pode!
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Apresentação para Tóquio 2020 |
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Monte Fuji, cartão postal do Japão, e o convite para ver todos em Tóquio 2020 |
Apague a Luz, o Fim da Festa
E para encerrar, um lindo efeito de chuva (virtual) que, quase não foi necessário, para apagar a Pira Olímpica, que agora só será acendida em Tóquio 2020. E ao som de “Pelo Tempo que Durar”, de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto e cantada por Mariene de Castro, os Jogos Olímpicos chegaram ao fim.
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A Pira Olímpica foi apagada com uma chuva virtual |
E tudo deu certo no final. Até o Brasil conseguiu a sua melhor colocação em Olimpíadas, 13º lugar, com 7 medalhas de ouro, 6 de prata e 6 de bronze, totalizando 19 medalhas conquistadas na Rio2016.
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Medalhas dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 - Ouro, Bronze e Prata |
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Arthur Nory e Diego Hypólito: Medalhas de Prata e Bronze na Ginástica de Solo Masculino |
As profecias do fracasso e do vexame, das águas poluídas e dos consertos inacabados, do zika vírus e das doenças, dos assaltos e até do terrorismo caíram por água abaixo. E a chuva que abençoou atletas, público, artistas e voluntários durante a festa de encerramento, também lavou a alma de todos nós brasileiros. Fizemos uma excelente Olimpíada!
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O Rio de Janeiro agradeceu o público em vários idiomas |
Beijos mil! :-)
Criss
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“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... ou toca ou não toca.”
Clarice Lispector